Layon por Preta

Conceição Rodrigues Layon

A arte não é um reflexo do mundo nem uma escolha de seus mais belos segmentos, ela é a transformação integral do mundo em esplendor.

Nesses 32 anos que estamos casados, sempre ouvi do meu marido que se ele não fosse artista plástico não seria mais nada, pois, estava realizado profissionalmente e que amava a arte mais que tudo na vida.

O artista, escreve Rilke acerca de Rodin no livro “A beleza salvará o mundo”, é aquele a quem cabe, a partir de numerosas coisas, fazer delas uma só, e, a partir da menor parte de uma coisa, fazer o mundo.

Para o meu marido foi fácil harmonizar vida e trabalho, pois dizem que a vida imita a arte, ou vice versa, não importa. Ele fez da sua vida uma arte. Conservador como todo artista, ele pinta todos os dias no mesmo horário e esculpe nas pausas entre um trabalha e outro.

Já dizia Tzvetan que o artista deve tratar a sua vida como uma bela arte, pois a vida tem suas obras primas refinadas. Que todos os homens devem imitar os artistas, não produzindo obras, mas tornando belas suas vidas. É nesse ponto preciso que também podemos observar no que o artista e Jesus se distinguem. O primeiro dedica sua vida a produzir obras, o segundo faz da sua própria vida uma obra.

De acordo com meu marido, a maior obra que ele há fez nesses 32 anos de nossa união foram as nossas filhas, Angélica e Aline Layoun.