LAYON – SONHOS, SÍMBOLOS E EXISTÊNCIA

Arley Camillo

 

Um certo dia, nossos melhores sonhos deitamos em palavras, das palavras  faremos nossas inventivas e concretudes e nessas, há de se definir claro o nosso destino : rastros, marcas e pegadas indestrutíveis da nossa  existência.

O artista, um ser quase sobrenatural, sabe que a vida por si só não basta a ninguém e por isso cria, procria e recria seus modelos perpétuos e vai deixando por aí, por aqui e acolá, sempre disponíveis, suas mostras que, ao expectador, cabe séria incumbência e mérito revivê-las quando e o quanto puder e quiser.

Ah, esses, os artistas – o que seria do gênero humano sem esses seres inigualáveis e inconfundíveis que nos oferecem bálsamos dadivosos de confortos a nos suavizar dores, dúvidas e perdas –  as tantas pedras postas em nossos caminhos de poucos privilégios, a não ser os da arte pela arte, mas  só dos  artistas videntes das almas.

Venho sempre de justificar palavras minhas, como essas novas aqui agora, toda vez que entro no atelier do ELIAS LAYON e lá acabo entrando também no essencial de seu ser e nas implicações de sua sensibilidade – suas paixões sempre  “incutidas no profundo” –  LAY ON DEEP! No meu caso, como amigo fiel de anos, de seus afetos ternos e fraternais por mim.

Mas, basta para isso basta só eu observar o seu semblante leve e discretamente melancólico, certa inquietude com as ilusões e desilusões, com aquelas e com tantas outras com as quais convivem os seus ancestrais tuaregs no seu grande enigmático deserto. O mundo que LAYON, sutilmente, nos mostra em todas as suas artes, inclusive a arte das poucas palavras ou do quase silêncio e alta definição de eloquente.

Saí outro dia de dezembro 2016 de seu ateliê depois de breve e econômico bate-papo entre nós, onde me deixei envolver, incontidamente em encantamento, pelo São Pedro grandão, ainda em fase de vigorosas  sob ações dos afiados e determinados formões, em resistente luta vibrante com a madeira,  ainda exalando discreta resina da vida do cedro arrancado da natureza para, em compensação, breve vir a se transformar em um São Pedro que, terminado, há de nos parecer necessariamente redivivo.

Quem sabe LAYON, daquele valente cedro há de nos trazer de volta em 2017 em resgate, um São Pedro apostolando; evangelizando novos credos para a ânsia da vida humana hoje, como nunca antes tão desdourada como neste terceiro milênio que adentramos, faz pouco mais de quinze anos. Quem sabe LAYON nos premia com um inovador, talvez exultante, São Pedro.